Ficarei ridícula após abertas estas sacras portas.
Prefiro este lado profano
onde meu pai é minha segurança e guia:
lá dentro não terei meu pai a me apoiar
no longo tapete vermelho,
trapézio temerário onde a entrar me atrevo.
Ficarei ridícula, nua e vivificadoramente espantada
após abertas as portas
do ventre materno em que me encontro:
lá fora não terei a doce irresponsabilidade de agora
não terei o calor materno
no longo fio da vida que a entrar me atrevo.
Ficarei ridícula com pernas, bunda e cabelo;
prefico o achonchego do nada em que me encontro
à longa jornada pelos canais:
lá dentro terei formação física;
serei matéria e algo mais,
serei desesperadoramente algo ou alguém!
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